A cultura do seguro – Por que essa proteção ainda é vista como um gasto?
31/07/2020   / admcamedcorretora A+ A-

Desde a pré-história o instinto de proteção está enraizado no ser humano. Isso porque o homem daquela época para sobreviver necessitava realizar uma gestão sobre as ameaças à sua volta. Segundo o dicionário Michaelis, o significado da palavra proteção vem do latim e significa “ato de proteger alguém ou algo de um perigo, de um mal”. O tempo mudou, mas os efeitos sobre uma fatalidade não, o que de fato mudou foi a forma de proteção.

A busca de proteção contra fatalidades é antiga, tanto que existem indícios na Babilônia, 23 séculos a.C., de cameleiros que, ao chegar de suas viagens, dividiam entre os integrantes os prejuízos dos camelos que morreram durante o trajeto. Mesmo sem ter conhecimentos em seguros, probabilidade, previsibilidade ou cálculos atuariais, estes cameleiros estavam mitigando os prejuízos e formando naquele momento um conceito de mutualismo e seguros.

Com o surgimento das civilizações, esta necessidade de proteção se tornou cada vez mais latente, visto que se aumentavam as interações entre as civilizações e o comércio crescia entre as regiões, os comerciantes precisavam realizar rotas comerciais e a cada nova viagem o risco aumentava, sendo certa no retorno a divisão dos prejuízos.

Não existia uma instituição para administrar os riscos e muito menos uma gestão sobre os valores. As viagens se tornaram cada vez mais cara, pois o risco era constante e a divisão de todos os prejuízos somente era calculada no retorno dos comerciantes, ou seja, após o sinistro. Como forma de conter estes eventos, neste período surgiu o primeiro “ensaio” do contrato de seguros com a figura da seguradora, chamado de “Contrato de Seguro Marítimo”, passando a calcular as despesas do sinistro antes da ocorrência do evento.

Na época, Portugal já tinha presença marcante em rotas marítimas, figurando na contratação de seguro desde 1293. No Brasil, o seguro iniciou suas operações em 1808 após a saída da família real de Portugal para o Brasil levando consigo a cultura do seguro.

Segundo uma pesquisa realizada em 2020 pela Universidade de Oxford, juntamente com a seguradora Zurich, o Brasil tem a menor taxa do mundo em se tratando de proteção de seguro de vida ou de renda. Mais da metade dos entrevistados, cerca de 53,9%, não tem nenhum tipo de proteção contra perda de renda. Um ano antes, em 2019, outra pesquisa realizada pela Mapfre Seguros indicou o Brasil como o 8º país para explorar no mercado de seguros de vida.

Um fato importante para analisarmos a penetração do Brasil no mercado de seguros em relação ao mundo é a presença no início das operações de seguros, já que o seguro foi introduzido no Brasil mais de 500 anos depois das operações em Portugal, desprendendo uma maior energia das sociedades seguradoras em fomentar o seguro no país. Neste caso não é despertar do instinto de proteção, pois este já existe tanto pela necessidade primitiva quanto pela sensação de insegurança. De acordo com pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Gallup em 2018, o Brasil ocupa o 4º lugar dentre 142 nações onde as pessoas sentem-se mais inseguras. Sendo assim, o desejo de contratar seguros protetivos deveria ser natural.

Na prática não é isto que se vê, pois, mesmo com todos os investimentos e um portfólio diversificado de produtos das seguradoras, o seguro ainda engatinha para um crescimento exponencial, tendo ainda como mais popular e crescente o ramo de automóvel. A revista Valor publicou o crescimento em 2019 do seguro automóvel ficando entre 11 a 12,5% (números da CNseg), em outra pesquisa (Universidade de Oxford) aponta que 8% dos entrevistados no Brasil adquiriram seguro de vida, enquanto em Hong-Kong chega a 35%, na Malásia 31% e nos EUA 30%.

Boa parte da ausência da contratação de seguros está na falta de percepção do valor da proteção, uma vez que as pessoas não visualizam as ameaças, seja sobre sua vida, sua família ou seu patrimônio financeiro. Muitos não visualizam o risco como uma possibilidade. O fato é que, ao longo dos anos, o ser humano deixou seus instintos preventivos de risco e passou a ser mais imprevidente, tanto que no período atual de pandemia devido à Covid-19 os seguros residenciais, de saúde e de vida tiveram um aumento crescente de vendas, porque as pessoas se sentiram ameaçadas por um novo elemento externo de maior alcance, mas o risco de outros eventos já existia. O que faltou não foi a disseminação da informação, mas o senso de proteção e a necessidade de visualizar que existe uma ameaça e, se existe uma ameaça, é necessário mitigar o risco.

Como o seguro de automóvel é o mais procurado, muitas vezes as pessoas realizam projeções de valores para outros bens, por isso não despertam interesse de ter outros tipos de seguros, por exemplo, considerando que um veículo tem como valor de mercado R$ 20 mil e um seguro auto de R$ 1.500 por ano, então, se a residência custa R$ 120 mil, o seguro residencial custaria R$ 9 mil. Mas a conta não é assim, a seguradora entrou no mercado de seguros bem lá atrás justamente como uma instituição para criar indicadores atuariais personalizando o valor do seguro para cada característica do risco, portanto um seguro se torna cada vez mais barato quando os elementos que compõem sua cotação são respondidos de forma correta. Na verdade, um seguro residencial para uma casa no valor de R$ 120 mil chega a custar de R$ 12 a R$ 15 ao mês com a cobertura residencial contra incêndio, raio e explosão mais um pacote de assistências 24horas com eletricista, encanador, assistências a eletrodomésticos, dentre outras, nada comparado ao valor inicial.

Outro fator importante é a responsabilidade do corretor de levar educação para a sociedade, ele tem um papel importantíssimo na cultura do seguro, pois é o agente autorizado pelas seguradoras de mostrar os benefícios do seguro e o quanto ele pode trazer tranquilidade para cada momento da vida das pessoas. As seguradoras focam cada vez mais em criar um portfólio de soluções de seguros, cabe ao corretor o propósito de proteger, configurar o seu olhar para cuidar do próximo e a missão de levar o conhecimento aos segurados, quanto maior a popularização da contratação do seguro maior será a participação da sociedade no crescimento das políticas de segurança social, pois, com a proteção de bens e pessoas contra acidentes e danos, o mercado segurador contribui para o desenvolvimento econômico, protege as pessoas de eventos fortuitos e cria uma relação de equilíbrio de taxas nos seguros.

Se buscarmos a essência primitiva do fator protetor e o motivo pelo qual surgiu o seguro, veremos que ele surgiu para atender a necessidade de proteção. Desta forma, para disseminar a cultura do seguro, será necessário voltarmos aos nossos instintos mais primitivos de proteção.

Finalizo com as sábias palavras de Winston Churchill: “se me fosse possível, escreveria a palavra seguro no umbral de cada porta, na fronte de cada homem, tão convencido estou de que o seguro pode, mediante um desembolso módico, livrar as famílias de catástrofes irreparáveis”.

 

Veridiane Pacheco

Coordenadora Suporte Técnico Camed Corretora

(85) 98156.4162 // veridianecapm@camedseguros.com.br

 

Referências

https://piaui.folha.uol.com.br/no-mundial-da-seguranca-brasil-e-o-4o-pior-entre-142-paises/

https://www.revistaapolice.com.br/2018/10/a-historia-do-seguro/

https://www.zurich.com.br/pt-br/a-zurich/imprensa/press-releases/2020/brasileiro-menos-seguro-protecao-pessoal-familiar

https://www.mapfre.com.br/seguro-br/quem-somos/noticias/noticias/2019/outubro/brasil-tem-potencial-de-seguro-segundo-indice-mapfre.jsp

https://valor.globo.com/financas/noticia/2020/01/09/mercado-de-seguros-cresceu-entre-11-pontos-percentuais-e-125-em-2019-aponta-a-cnseg.ghtml

 



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